PARA SER
É preciso dar nome aos bois.
É preciso engolir sapos.
É preciso ir ao fundo poço.
Buscar o original em lugares comuns.
Buscar a sutileza no que berra.
Buscar o diferente no óbvio.
Buscar a fina ironia no grotesco.
Ver nas entrelinhas do cotidiano
O mistério empolgante do novo.
Deixar-se levar pelas águas de um lago parado.
Descrever o movimento do mundo.
Imitar o som do silêncio e
Viver no escândalo da discrição.
Arabela Morais
O SEU SEGREDO
Imaginando que seduziria a moça,
O poeta lhe mostrou uma das faces.
Era a face mais bonita e mais galante
Que podia encontrar nos seus disfarces.
Mas a moça, bem esperta, já sabia
Que havia ali tal sorte de sorrisos
Que encontrar o verdadeiro era difícil,
Pois era esse o que o poeta escondia.
Ele sorria, ela negava.
Ela sondava, ele fugia.
Pelos jardins por onde andava
Ela esperava e esperava...
Ele a seguia por onde ia
E escrevia e escrevia...
Mas seu segredo não confessava...
Das faces muitas que ele tinha,
A mais galante não convencia.
A mais bonita era sem valia.
E foi-se a moça, sem o poeta.
E o poeta a perdeu por medo.
A face oculta era a desejada.
E o desejo... foi seu segredo.
Arabela Morais
...E EU ARDO!
...Braço forte que me envolve o corpo
enquanto dorme.
E eu insone estou na noite longa.
Meu corpo é brasa,
é fogo que não apaga.
Mas o teu braço inerte
não me traz alento.
Lembro as noites em que,
cansados de amar,
dormíamos.
E tu envolvias-me em teu corpo,
ainda suado e quente.
Hoje penso se tudo
foi real ou fantasia.
Pois nada há, agora,
que se assemelhe
ao grande ardor
vivido naqueles dias.
Hoje, apenas esse
braço que,por hábito,
me toca.
E eu, ardo...
Arabela Morais
PRIMEIRO AMOR
Não houve flores,
nem poesias...
Sequer se soube
o quanto amei.
Guardei no peito.
Guardei bem dentro,
bem lá no fundo,
não revelei!
Construí castelos
que desmoronaram.
Tracei caminhos
para encontrar...
Porém, coragem
não tive mesmo.
E os caminhos
Fiz apagar!
Não houve flores...
Não houve trovas...
Primeiro amor
foi ilusão.
Foi minha culpa.
Fiquei calada.
Fiquei sozinha.
Amei em vão!
Arabela Morais
AMIGO VIRTUAL
SENTIMENTO REAL
Se é apenas uma máquina,
Um monitor, um teclado,
Como pode ser tão forte
O sentimento despertado?
Do outro lado, quem está
Só me mostra o que convém
Não a mim, a ele próprio.
Por minha vez, eu também!
Mas nós rimos, nós brigamos,
Trocamos idéias, memórias,
E, nessa troca, nós vamos
Construindo uma história.
É que o que permeia tudo
Limites não obedece.
Nem o tempo, nem o espaço,
E o envolvimento cresce.
E se ele nos decepciona
Nos frustra, nos entristece,
Aqui bem perto conheço
Quem do mesmo mal padece!
Porque sonho, frustração,
Tristeza, alegria, amor...
Nos dois mundos são vividos
E têm o mesmo valor!
É afeto o que se troca.
E afeto é bem real.
Ainda que o alvo seja
Meu amigo virtual!!!
Arabela Morais
SOU SEU PARAÍSO
Para que você se banhe após duro dia,
Sou água tépida.
Para que você descanse o corpo exaurido,
Sou cama macia.
Para que você sacie sua fome pós faina,
Sou banquete farto.
Para que você desabafe seus sérios problemas,
Sou ouvido atento.
Para que você espante o frio de seu corpo,
Sou fogueira acesa.
E se o calor lhe faz suar, e lhe sufoca,
Sou aragem boa.
E se os fatos do dia lhe trazem tristeza,
Sou sua boa notícia.
E se o barulho das ruas lhe deixou irritado,
Sou música harmoniosa
Ou silêncio confortante.
E, num mundo que lhe suga a vida
E lhe atormenta
E lhe desgasta...
Sou seu alento,
Sou seu acalanto.
Sou seu paraíso!
Arabela Morais
NÃO ME CALO
Você se impõe!
Eu acolho...
Você dispõe.
Eu me disponho...
Você age.
Eu reajo...
Você reforma.
Eu transformo...
Você ordena!
Eu proponho...
Você condena.
Eu pondero...
Você fala.
Eu escuto...
Você grita!
Eu sussurro...
Mas não me calo.
Arabela Morais
QUANTOS? TANTOS...
Dedicada ao S
Oh, homem de mil faces!
Qual será realmente a sua?
Que mistério na alma traz
Atormentada criatura?
Será preciso ser vários
Para enfrentar a vida?
Será necessário ser muitos
Para descobrir-se um só?
Fragmentar-se em tantos...
Construir tantos em um.
Equação bem complicada
Para ser, mesmo, nenhum.
É que, no final das contas,
Perdeu-se em tantos “eus”
Não se conhece de fato.
Não é inteiro, nem vivo,
Morreu.
Arabela Morais
TODO SENTIMENTO
Afeto
prepare o caminho,
trace o mapa,
sonde o terreno.
Ternura
arranque as armadilhas,
desvie as atenções,
marque a estrada.
Carinho
limpe a passagem,
apronte a bagagem,
viabilize a condução.
Paixão
traga-o para mim,
apresente-o ao desejo e
dispa-o de tudo o mais.
Êxtase
leve-nos ao céu,
encontre-nos no chão,
mergulhe-nos no teu mar.
Amor
confirme-nos como um,
ratifique-nos em um,
apresente-nos em ti.
Arabela Morais
LUTEM MENINOS.
Que por supuesto ha salido del combate, pero no de la guierra.
Lutem meninos!
Quebrem os ossos desse defunto andante.
Morto-vivo que circunda o terreno
roubado às gentes de sua pátria.
Exorcizem seu fantasma
que, embora antigo,
ainda povoa de terror e pranto
os corações e almas de seu povo ingênuo.
Marquem a ferros em brasa
a pele carcomida de vergonha,
apodrecida de ódios antepassados,
putrefata das torturas efetuadas
aos seus,
pelo uniforme vil que rouba a cor
da mata doce.
Destruam o fantasma.
Queimem o corpo.
Mas guardem os restos para
contar a história.
Guardem a lembrança das
épocas bárbaras.
Lutem meninos!
Devolvam à terra a semente da
integridade
E encontrem a paz.
Que por supuesto me ha salido de la miente, pero no del corazón.
Arabela Morais
SUPOSTA ONIPOTÊNCIA.
Não refaço versos.
Não apago rimas.
Comparo os mundos
e crio um novo.
Me jogo nele
com tinta e papel.
Faço caminhos e atalhos.
Comando o tempo:
dia e noite
luzes e trevas.
Escolho as cores e as combino.
Decido os passos,
resolvo problemas,
invento falas,
gero questões,
dou soluções.
Sou eu quem manda...
...DEUS!
Como sair desse lugar
insuportável?
Arabela Morais
AO SEU LADO
Tu, que és tão intenso,
apeou em minha vida.
Moço, sente esse momento
que é nosso.
Sente como é quente meu corpo
e aconchegante meu colo.
Deita nele tua cabeça, guerreiro!
E narra, aos meus ouvidos,
teus feitos.
E abre, para mim, teus ouvidos,
para que eu possa te contar
como é prazeroso estar na luta
ao teu lado.
Arabela Morais
BRINCAR DE ESCREVER
Há que somar
as lutas, os erros, as vivências.
Há que se conter
os medos, as dores, os vícios.
Há que soltar
das amarras, os verbos.
Para que se tornem livres
e voem
pelos desozonizados buracos negros
E se encontrem harmonicamente,
através da tinta de minha pena,
no papel amarelado dos sonhos.
Brincar de escrever.
É tudo o que ouso.
Só isso.
Arabela Morais
PAIXÃO
Falo de corpo,
de gestos,
de toques,
não de discurso.
Falo do sentir e
do agir,
não de palavras.
Falo de viver
não do que se diz
ou se deixa de dizer,
mas do que se faz
ou se deixa de fazer.
É o olho no olho.
O ser em outro
e, por isso mesmo, o
ser em si mesmo.
Falo do significado da
vida.
Transcrito ou
transubstanciado
No homem
HOMEM.
Arabela Morais
...E AGORA?
Agora, é pregar na cara
uma máscara.
Agora, é fingir,
é dissimular,
passando por cima
do que se sente.
É, mesmo destruída,
Mostrar o quanto vale a pena
estar viva.
É, mesmo trucidada,
mostrar o quanto é forte.
É, mesmo arrebentada,
mostrar-se inteira.
Onde o espaço do choro?
Quando o momento de cair?
Onde o lugar do grito?
É, estando arrependida,
mostrar-se irredutível.
É, estando irremediavelmente
perdida,
apontar o caminho
de volta.
Arabela Morais
GÊNESIS
Começou com beijos
De água...
Os lábios úmidos, doces,
Sussurrando-me palavras
Belas e suaves.
Depois foram
Abraços de brisa,
Com as mãos macias
A cobrir-me o corpo.
O olhar fecundo
De plantar paixão,
Lançou semente
Em mim,
Que sou terra fértil...
Ao mesmo tempo
Linda queda d’água
Era vertida de sua
Boca voraz.
Fiz-me, então,
Abrigo...
Recebi a semente,
Gerei a emoção,
Gestei o sentimento,
E, enfim,
Trouxe à luz
O nosso amor.
Arabela Morais
SUA POESIA
Dedicada ao S
Foi quase como vendaval...
Chegou num rompante,
Chegou num instante...
Violentamente,
Completamente.
Tomou-me inteira,
Arrebatou-me...
Fez-me refém de suas palavras.
Viciou-me de seu canto intenso.
Depois calou-se,
Deixou-me.
Se foi.
Assim como os ventos
Chegam e vão
Deixando as marcas,
A desolação,
Assim estou eu,
Marcada
Indelevelmente
Pela intempestiva
Poesia sua!
Arabela Morais
ROSAS DA MANHÃ
Se tu queres dar-me flores
Deixe que eu mesma escolha
Não será escolha vã.
Não quero cravos, hortênsias.
Não quero orquídeas ou dálias.
Quero rosas da manhã.
Haverá de ser bonito
Encontrá-las na varanda
Vermelhas como maçã.
Mas não num bouquet, cortadas.
Quero-as num vaso, plantadas.
Lindas rosas da manhã!
E amanhã, quando as pessoas
Se espantarem com a beleza,
O viço e a maciez de lã,
Eu lhes direi, orgulhosa:
Foi o amor que me deu as rosas.
Minhas rosas da manhã!
Arabela Morais
SINTO... NÃO SINTO.
Não sinto não ter
correspondido
às expectativas.
Não mudo conceitos
pra agradar...
Não mudo estilo
pra me adequar...
Não vou rimar,
só por rimar...
Sinto por você não saber
reconhecer conteúdo
e não forma...
admirar talento
e não regras...
compreender
o que está no meio,
sem esperar
pelo som do fim...
Mais do que nunca
agora,
defendo a liberdade
das palavras
em meus textos...
Ainda que, comprometidas
com o tema...
Soltas, pra dizer mais
sobre ele...
É assim que acho belo!
É assim que faço vida!
Arabela Morais
PAIXÃO RIMADA
Não faço versos rimados
Unindo paixão e coração.
Faço versos livres
Versos que voam
Correm, saltam, pulam...
Dessa forma me apaixono...
Paixão livre, que corre ao encontro,
Que voa em redor,
Que salta aos olhos,
Que faz pular o coração.
Esse coração, também livre
Acolhe, recebe, envolve
E bate, bate bem forte
Por sabê-lo perto e meu.
Por encontrá-lo comigo.
Sim, faço versos que dizem
Que rima, é na verdade
Encaixe...
Que Poesia é deleite!
E, que paixão é vida!
Arabela Morais
SONETO DA CONSUMAÇÃO
E antes do último clarão da lua,
E antes do último raio de sol,
E antes do último pingo de chuva,
O último sangue virgem no lençol.
E antes da última dama indócil
Que o braço amante carinhosamente envolve
O último vulcão a ativar a lava
Que a terra, teimosamente, revolve.
E antes que a couraça dourada
Erguida entre a virgem e o vulcão
Venha por terra, abatida e arrasada
Haverá o sonho e a ponte encantada
Que levará o amor à consumação
E que, só em gozo, será transformada.
Arabela Morais
SONETO SERÁ?
Se meu corpo é, de fato, um templo
A que, então, estará consagrado?
Ao amor, esse ingrato bastardo?
À paixão, esse vil sentimento?
Se minha alma suporta o tormento,
De acompanhar tão descompassado corpo,
Como, então, separar num momento,
Amor e paixão, sempre em desacordo?
E não há como um templo aguentar
Tal conflito, tal peso, tal fardo!
Tal batalha, assim, há tantos anos!
E, minha alma trabalha esse eito,
Pra que o corpo, o conflito resolva
sem ser, pois, servidor de dois amos!
Arabela Morais
REDOBRE OS CUIDADOS
Redobre os cuidados quando
chegar perto de mim.
Sou cristal muito fino.
Raro,
caro,
frágil.
Posso espatifar-me
em pedacinhos
por qualquer pressão.
Mas, cuidados redobrados,
não só para que
não me quebre.
É que, quebrada,
posso ferir fundo
quem passar por mim
e me pisar
os cacos.
Arabela Morais
...
É fácil arrebatar-me.
Basta que as palavras sejam
bem ditas.
E benditas sejam as palavras
que me arrebatam.
Arabela Morais
MINHA ALMA
Minha alma tem sede
de águas tantas
de tantas outras
de outras fontes.
E também tem fome
de outros gostos
de outros prazeres
de outras almas.
Na segurança de meu corpo
espreita meu futuro
comanda meu presente.
E, se o corpo, está preso
a uma vida contida,
a alma, ao contrário,
voa bem lá no alto,
eleva-se ao céu,
aponta caminhos.
Caminhos que levam
a águas tantas
a outros prazeres
a tantas outras almas!
Arabela Morais
OS SEGREDOS
DE MINH’ALMA II
Minh'alma tinha segredos
Guardei-os todos trancados
De amores mal vividos
De amores mal tratados
Minh'alma, por vezes, tentou
Deixar fugir meus segredos
Pois trazia-os sem suportar
Tanta dor, tanto desprezo!
Quis, um dia, dar alento
A essa minh'alma cansada
Dar-lhe reconhecimento
Por toda guerra travada.
Encontrando nesse mundo
Alma que lhe completasse
E, unindo um'alma noutra
Seus desejos saciasse.
Posso agora descansar
Pois minh'alma está tranqüila
Pois companhia encontrou
Para seguir sua trilha.
Arabela Morais
TUDO POR AMOR
Tudo por amor?
Pois sim!
Amor submisso...
Amor rendição...
Amor que acorrenta.
Que trava,
que cobra!
Por este amor,
Não faço nada.
Ah, não!
Tudo por amor?
Pois não!
Amor que se entrega,
que alenta,
que acolhe.
Amor que se dá.
Amor comunhão!
Esse amor é caminho.
É libertação.
Para tê-lo comigo,
faço tudo então!
Arabela Morais
JÁ FOI...
Gritos!
Socorro!
Ninguém socorre.
Ninguém se expõe.
Ninguém se opõe.
Houve-se o tiro.
Silêncio.
Já foi.
Arabela Morais
ELAS E EU.
... E saio em busca de mim
e não me encontro
em qualquer
rosto.
... não sou ELA,
sou uma delas.
... muitas que se encontram
nas ruas,
mas que não se encontram
em si mesmas...
... e sou uma delas...
Somos todas ELAS
nas ruas onde nos
encontramos,
sem nos encontrarmos.
... e nos refletimos umas
nas outras.
... e nos confirmamos, em nós,
como OUTRAS.
Somos todas outras
nas histórias onde não
nos encontramos,
embora nos encontremos
nelas.
... e saio em busca de mim
E me encontro
nelas,
E me confirmo
em outras,
E me descubro
em mim mesma.
Arabela Morais
SONHO SECRETO
Sou presa sem pressa de fugir,
pois assim fico ao seu lado,
carcereiro!
Cá pra nós, me deixei capturar
e cair em sua armadilha
de afeto!
Toma-me agora,
sou seu prêmio merecido!
Sempre foi esse o meu sonho secreto!
Pertinho de você, isso é um sonho...
Encontro/encanto,
nós dois sob o mesmo teto!
Sou sua agora!
Prisioneira em seus domínios...
Sempre foi esse o meu sonho secreto!
Arabela morais
DÁ LICENÇA, POESIA?
Dá licença, poesia?
Preciso me encontrar...
Nos versos de pés quebrados,
Nas rimas ricas ou pobres,
Nas métricas que limitam,
Na concretude dos dias,
No livre versar dos sonhos!
Dá licença, poesia?
Pois é preciso sonhar!
Com caminhos que percorram
A razão dos teoremas,
A ilusão das miragens,
O fanatismo das crenças,
O “deixa estar” inconsequente
Do viver sem nem pensar!
Dá licença, poesia,
De mostrar o meu viver?
De me permitir sentir
E falar o que aprouver?
De ser eu, sendo eu, outras,
E mostrar que assim posso
Ser mais eu, por isto mesmo?
Dá licença, poesia!
Dá?
Então, licença poesia,
Pois caudalosa que sou,
Agora vou me derramar!
Arabela Morais
BARULHO DAS ONDAS
B eijando a areia
A s ondas chegam
R everberando
U m som de acalanto
L onge, o sol ilumina a
H umilde Terra em mais um
O sculo astral.
D entro do clima, escuto
A canção das ondas
S erenando o meu coração.
O utros sons
N ão me dispersam, pois
D as ondas tenho
A música mais
S ublime.
Arabela Morais
MÃO DUPLA
O amor é uma via
de mão dupla.
Necessário saber,
que embora sendo
única a estrada,
cada um segue
dirigindo a
própria vida...
E segue seu
próprio caminho.
Atenção para as placas!
Arabela Morais
QUERO SER O SHOW
Quero ser o show
Quero estar no centro
do palco com
todas as luzes
em mim!
Cantando!
E nunca,
jamais, ser
a música ambiente
que preenche os silêncios
nos shows alheios!
Arabela Morais
POR QUE CORRES?
Por que corres tanto?
Para quê?
Quanta pressa de chegar
a nenhum lugar!
Calma, devagar...
Se permita sonhar.
E repara,
tem alguém a olhar.
Correndo assim
nem vais notar!
Arabela Morais
RE(PRESA)
Fé contida
Arapuca
Crença louca
Que machuca
Prende o verso
põe arreio
Mundo imerso
Só no freio
Segue o rumo
Solta a rima
Corre mundo
Desatina
(Pre)domina!
Arabela Morais
AMOR DE PRIMAVERA
Quisera ter no acontecer da vida
Amor de flor, amor de primavera
Sentir o perfume que esse amor exala
Quisera um sonho de flor extasiado
Amor que dure mais que uma estação
Eternizado em puro sentimento
Talvez não seja mais que uma quimera
Mas que não seja só um sonho vão.
Arabela Morais
Arabela Veloso de Morais, nasceu em Pedra Azul, Minas Gerais, em 08 de Junho de 1970. Caçula de dez irmãos, sete mulheres e dois homens, com um mês de idade, foi com toda a família morar em Recife, Pernambuco. Terra onde vive até hoje.O interesse pela leitura se deu na mais tenra idade. Assim como o interesse pela música. Mas durante muito tempo foi leitora, só leitora. Na adolescência ousou traçar as primeiras (e mal traçadas) linhas, imitando sua irmã Amélia Veloso (multiartista) a quem sempre teve como modelo. Nunca, porém, ousou mostrar seus escritos. Escrevia e guardava.
Formou-se em Psicologia, casou (com um professor e poeta), teve uma filha, separou...
A poesia e a música sempre permearam este caminho. A coragem mesmo, para mostrar sua poesia, veio com o Orkut e as Comunidades de Poesia que conheceu. Com o incentivo dos amigos que fez, principalmente Claudinha Duarte, que a convidou também para ser moderadora em sua comunidade de Poesia.
Não é uma escritora contumaz.
“Sou Poetisa! Não sei se com P maiúsculo, mas com P de pluralidade! Não sigo estilo, escrevo livre, sigo o ritmo que quero no momento da criação... O que estiver saindo da alma...
Não busco a perfeição. Busco apenas dizer o que de tão grande, não cabe mais somente em mim. Não sei escrever direto na tela, tenho que usar papel. Tenho que riscar que rabiscar que mudar que apagar que fazer que refazer... Na verdade, seu caminho na poesia apenas começou...
Assim como sua vida, está apenas no começo. Muito ainda há que ser vivido!
”
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